Estamos em modo Mundial. E, para Portugal, talvez este seja um dos momentos mais interessantes das últimas décadas.
A Seleção Nacional chega aos Estados Unidos com uma geração extraordinária de talento. Mas, mais do que isso, chega com uma identidade cada vez mais definida. Se durante muitos anos a equipa viveu demasiado dependente do brilho individual de Cristiano Ronaldo, hoje Portugal tem de assumir uma nova realidade: esta é a Seleção de Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes, Rúben Dias, Bernardo Silva, Nuno Mendes e de muitos outros jogadores de classe mundial. Cristiano continua a ser uma figura incontornável, mas o foco tem de estar no coletivo.
Também é justo reconhecer o trabalho de Roberto Martínez. Depois de um ciclo mais conservador com Fernando Santos, Portugal passou a assumir os jogos contra qualquer adversário. Frente à França, no Europeu, e frente à Espanha, na Liga das Nações, a Seleção demonstrou capacidade para dominar, ter mais bola e impor o seu futebol. Independentemente dos resultados decididos nos penáltis, Portugal mostrou que pode discutir os jogos de igual para igual com qualquer potência mundial.
O Mundial de 2026 terá ainda uma dimensão especial. Apesar da distância poder limitar a presença de adeptos vindos de Portugal, a enorme comunidade portuguesa nos Estados Unidos estará seguramente ao lado da Seleção. Os portugueses espalhados pelo mundo voltarão a transformar cada jogo numa extensão da nossa casa.
Portugal tem talento, experiência, profundidade e um selecionador que encontrou uma ideia de jogo. Num Mundial, nada é garantido. Mas há muito tempo que não tínhamos tantos argumentos para acreditar que podemos chegar longe.
Felipe Gomes
Freelancer