Cresci a ver Mundiais e Europeus sem a nossa Seleção. Já estudante universitário, jovem adulto, vibrei com o Euro 84 e o Mundial 86.
Felizmente desde 2002 tive a minha seleção para apoiar.
Mas há coisas que nunca compreenderei. A divisão permanente sobre treinadores e jogadores. Divisão que neste Mundial de 2026 atingiu um pico “de loucura”.
Num dos mundiais mais politizados que tenho memória, com a FIFA a assumir protagonismo fora da bola, desde prémios da paz, a interferências em castigos a jogadores, proteção de determinadas equipas e jogadores, Portugal enredou-se em novelas que apenas serviram para destabilizar.
Somos 10 milhões de treinadores de bancada cheios de razão e sabedoria. E é pena que assim sejamos. Podíamos e devíamos parar por umas semanas e ajudar na união. Mas não. É mais fácil colocar toda a culpa num só homem, o nosso melhor de sempre. E insultá-lo e apoucá-lo. Tudo serve e assim deixamos de ver o obvio. Temos uma boa seleção, mas não é a melhor. O dito melhor meio-campo do mundo nunca se viu. As assistências para a área foram poucas e normalmente mal feitas. Remates de longe poucos. Fomos recordistas em passes para o lado e para trás. Cansaço? Fadiga? Vi em muitos. Nervo, raça? Vi em poucos.
E não vi liderança. Fraco líder faz fraca forte gente? Talvez explique. Um treinador dos mais bem pagos do mundo não pode ser apenas isso. Tem de saber ler o jogo e de atuar em conformidade. E nisso Martinez não foi capaz.
E assim perdemos com Espanha que na segunda parte foi claramente melhor.
A CR7 deixo apenas uma palavra: Obrigado! Foi ele que me fez sonhar e acreditar que é possível ir mais longe. É a nossa maior referência do primeiro ao último minuto da sua carreira. E isso nunca esquecerei!
Emídio Guerreiro
Presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República