Estamos prestes a entrar em mais um Mundial e, por razões que a vida me proporcionou, vou vivê-lo de forma um pouco diferente. Sou ibérico, tenho dupla nacionalidade portuguesa e espanhola, e por isso acompanho com especial interesse as duas seleções da Península. Dito isto, o meu Mundial foi no ano passado. Como benfiquista, vivi intensamente o Mundial de Clubes, com tudo o que isso teve de entusiasmo, paixão e sofrimento. Mas agora é tempo de Portugal e de uma esperança que atravessa fronteiras.
Um Mundial é também isso, um momento raro em que portugueses, em Portugal e pelo mundo, se reconhecem na mesma camisola. Quanto à Seleção, olho para ela com sentimentos mistos. Temos provavelmente uma das gerações mais talentosas da nossa história. Há qualidade em praticamente todas as posições, experiência internacional, juventude e profundidade de plantel. O problema nunca foi o talento. O desafio continua a ser transformar esse talento numa verdadeira equipa.
Confesso que tenho mais confiança nos jogadores do que na liderança técnica. Roberto Martínez, apesar do título já conquistado na Liga das Nações, nunca me entusiasmou plenamente. Os grandes torneios decidem-se nos detalhes e na capacidade de criar uma identidade coletiva forte.
Continuo também a acreditar que Cristiano Ronaldo terá um papel importante. A marca Cristiano Ronaldo é hoje maior do que um jogador, é liderança, ambição, exigência e uma referência global do futebol português. Talvez possa ter um papel híbrido, quase de jogador-treinador dentro de campo, liderando pelo exemplo, pela experiência e pela influência que continua a ter sobre o grupo.
Portugal tem tudo para sonhar. Mas para ganhar não basta ter uma grande geração. É preciso ser uma grande equipa. Esse continua a ser o verdadeiro desafio.
Mauro Xavier
Partner leading the Microsoft Alliance in EMEA at PwC