Quando a seleção joga, de repente, o país inteiro passa a perceber de futebol.
Não sabemos se o fora de jogo é uma infração, uma doença ou uma promoção do Continente, mas num instante, transformamo-nos em analistas táticos, especialistas em substituições e críticos severíssimos da alta performance.
Depois de 20 anos dedicados principalmente à minha família e aos meus 5 filhos, decidi que também tenho o direito de opinar.
Afinal, se de médico e de louco todos temos um pouco, de treinadores de bancada, pelos vistos, todos temos imenso.
A Seleção Portuguesa é mais do que uma equipa. É uma marca emocional. Tem talento, drama, expectativa e a capacidade extraordinária de nos fazer gritar para a televisão como se os jogadores nos conseguissem ouvir. – “Passa a bola!”, dizemos, com convicção técnica inabalável, enquanto seguramos uma taça de tremoços.
Eu sei que não percebo nada de tática, mas percebo de emoções e de gestão de expectativas. E, nesse sentido, um jogo da Seleção é quase uma reunião de pais: muita gente a falar ao mesmo tempo, todos convencidos de que sabem o que é melhor.
Porque uma equipa que representa um país não vende apenas resultados. Vende sonhos, orgulho e a maravilhosa possibilidade de, por uns dias, sermos todos especialistas em futebol.
Agora, se me dão licença, vou voltar ao sofá, pois a Seleção pode precisar de mim!
Bárbara Santa Marta T Vasconcelos
Comercial