O Tempo de Acreditar

18 de Junho de 2026

Portugal chega a este Mundial numa posição rara da sua história. Não entra como favorito absoluto, mas também já não é apenas uma seleção simpática que desperta admiração. Entra como uma equipa respeitada, temida e observada pelos seus adversários. Isso, por si só, representa uma enorme evolução do futebol português nas últimas décadas.
Há razões objetivas para a confiança. Portugal vive um dos períodos mais sólidos da sua história futebolística. O talento continua a surgir, a qualidade mantém-se elevada e a Seleção consolidou uma cultura competitiva que lhe permite olhar para os grandes palcos sem complexos. Hoje, quando se fala dos candidatos a surpreender ou mesmo a chegar muito longe numa grande competição, Portugal surge naturalmente nessa conversa.
Mas os Mundiais aconselham prudência. A qualidade é indispensável, mas nunca suficiente. As grandes histórias do futebol estão cheias de favoritos que ficaram pelo caminho e de equipas que cresceram ao longo da competição até atingirem a glória. Entre a ambição e o sucesso existem lesões, detalhes, momentos de inspiração e aquela dose de imprevisibilidade que faz do futebol o jogo mais apaixonante do mundo.
Há, contudo, um símbolo que ajuda a compreender a dimensão deste momento. Cristiano Ronaldo prepara-se para disputar o seu sexto Campeonato do Mundo. Mais de duas décadas depois da sua estreia pela Seleção Nacional, continua presente ao mais alto nível, algo verdadeiramente excecional na história do futebol. Independentemente dos números, dos golos ou dos recordes, a sua longevidade tornou-se um exemplo de exigência, disciplina e compromisso com Portugal.
É por isso que este é o tempo de acreditar. Não de exigir. Não de proclamar vitórias antecipadas. Apenas de acreditar.
Porque as grandes equipas não são aquelas que entram em campo convencidas de que vão ganhar. São aquelas que sabem que podem ganhar.
E Portugal, hoje, tem todas as razões para acreditar.

Luís Álvaro Campos Ferreira

Presidente Conselho Fundadores Casa da Música e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da FPF

Herminio Loureiro
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