Não gosto deste mundial

30 de Junho de 2026

Estive em 5 mundiais de futebol (2002, 2006, 2010, 2014 e 2018) como enviado-especial da Renascença. Conheço a prova por dentro e por fora. Sou um felizardo porque vivenciei nos estádios, mundiais estampados com a verdadeira essência. Isto é, juntando em competição, as melhores seleções do mundo concentradas em cidades de um só país, ou dois vizinhos, como foi o caso de 2002 (Coreia do Sul e Japão).
Na véspera do início do Mundial 2026, assumo que não gosto da forma nem deste novo modelo. É itinerante e desproporcionado. Três países organizadores, distâncias enormes entre as sedes, equipas em número exagerado e uma quantidade insana de 104 jogos em 39 dias. Mais 40 jogos do que nos mundiais anteriores.
Não gosto de ver equipas sem expressão no ranking FIFA presentes numa fase final. Nova Zelândia, Haiti, Curaçau, Jordânia, Catar, Iraque ou Usbequistão, entre outras seleções, subtraem interesse e competitividade ao torneio, e desvirtuam a ideia do seu criador, Jules Rimet. Há quase 100 anos, o francês que presidia a FIFA pensou numa prova que juntasse uma colheita selecionada do futebol mundial sem mistura de água bórica…

Pedro Azevedo
Jornalista
(RR e Sport TV)

Herminio Loureiro
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