Quando Portugal joga, o clublismo espera

2 de Julho de 2026

Quem me conhece sabe que sou Benfiquista. Não daqueles discretos e moderados que a medicina recomenda, mas dos que sofrem, reclamam e acreditam que o próximo ano é sempre o nosso ano. O Benfiquismo não se cura.
Mas os Mundiais conseguem uma coisa extraordinária: durante algumas semanas deixam-nos torcer por jogadores que passámos o resto do ano a tentar derrotar.
De repente, um golo de um jogador do Sporting ou do Porto vale um abraço. As discussões sobre árbitros entram em pausa. E passamos a aplaudir jogadores que, durante o resto do ano, preferimos ver perder.
Quanto à Seleção, tenho razões para estar otimista. Talvez Portugal não tenha o melhor onze do Mundial, mas tem seguramente um dos plantéis mais completos da sua história. Pela primeira vez em muitos anos, olhar para o banco não significa rezar para que ninguém se lesione. Significa encontrar soluções.
Por isso, Portugal já não pode esconder-se atrás do confortável papel de outsider. Quando se tem esta qualidade, esta profundidade e tantos jogadores habituados aos maiores palcos, a ambição deixa de ser excesso de confiança. Passa a ser responsabilidade.
Claro que nada disto garante vitórias. Felizmente, o futebol continua a resistir à tentação de ser previsível.
Mas há Mundiais em que sonhamos porque queremos. E há Mundiais em que sonhamos porque temos razões para isso.
Este parece-me claramente dos segundos.

André Sousa Pereira

Diretor de Operações do Casino da Póvoa

Herminio Loureiro
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