A tribo que vive o futebol dentro das quatro linhas gosta de sentir o povo. Ninguém é hipócrita: todos gostamos de ser acarinhados e sentir o carinho de qualquer pessoa e ninguém gosta do sentimento contrário. Aquilo que vivemos nos últimos dias, em redor da seleção nacional não foi bom e os jogadores sentiram isso, que ninguém tenha dúvidas.
Seja bots, ou realidade, ler aquilo que lemos nos comentários a publicações de alguns jogadores de Portugal não foi bonito e pode dar o sentimento de divisão no grupo de Roberto Martínez, mas sejamos grandinhos: ‘Os jogadores vivem assim o ano inteiro.’
O empate contra o Congo foi apenas um jogo de futebol, nada mais. Custou? Sim. Os jogadores são sempre os primeiros a perceber e a sentir que têm de fazer as coisas diferentes. O povo tem todo o direito em expressar-se, mas o limite da lógica não pode ficar escondido no saco de batatas e a tribo do futebol manifestou-se.
Arrumado este assunto, é altura de olhar em frente e ganhar novas sensações. Portugal faz os portugueses sonharem, mas o campo da realidade faz com que o ódio e amor sejam uma linha vertiginosa sem ph neutro. É dentro de campo, curiosamente, o mesmo onde pensámos que íamos golear o Congo em cinco minutos, e onde íamos perder em 45, que temos de entrar na realidade dos pés bem assentes no chão, algo que, de certeza, os jogadores de Portugal nunca deixaram de ter.
É hora de deixarmos os heróis do povo brilharem. Todos.
Humberto Ferreira
Jornalista do ZeroZero