O ecrã é horrível. Mas a multidão vibra com um sentimento impossível de ignorar: PORTUGAL.
Confesso já: sou a pessoa que menos percebe de futebol à face da terra. Por isso, quando o Hermínio Loureiro – uma das pessoas que mais percebe de desporto em Portugal – me convidou para escrever sobre a Seleção e o Mundial no 4 linhas, não pude deixar de sorrir. Logo ele. Se calhar foi por isso mesmo. Ou talvez não. Mas aceitei.
O convite teve um efeito inusitado: dei comigo a estudar os convocados e a ler jornais desportivos.
Percebi rapidamente que o meu caminho não é a tática. O que me atrai é outra coisa – a envolvência única destes campeonatos.
Fascina-me o aproximar da hora. O nervoso miudinho. As minis no congelador.
Delicia-me ver a família e os amigos reunidos, a debaterem acaloradamente sobre táticas e craques que mal conheço – enquanto eu próprio me apanho a usar termos de pretenso especialista.
E fascina-me, sobretudo, aceitar o desafio de ver o jogo na praça. Aquele ecrã mau. Aquela multidão que não precisa de alta definição para sentir tudo.
É por tudo isto que neste Mundial, particularmente neste, a minha expectativa é total.
Quero ver Portugal chegar lá – à final.
E depois festejar.
Porque a nossa seleção merece. E porque nós merecemos. E mereço sobretudo eu que, vivendo constitucionalmente fora de jogo, faço um esforço hercúleo de integração social só para gritar golo no momento certo.
Paulo Oliveira
Jornalista