De Oliveira de Azeméis a Palm Beach vai um mundo — e uma esperança. Imagino Trump e Melania a atravessarem a rua para dar um abraço a Ronaldo, símbolo maior de um país que leva o futebol a todo o lado.
Portugal está bem instalado: manhãs de praia, treinos à tarde e condições ideais para crescer neste Mundial atípico — mais seleções, bilhetes caros e três países anfitriões, num cenário que pode diluir a competitividade e o apoio nas bancadas.
É o “soccer” dos americanos, longe do “futebol” europeu, e sem Itália, ausência difícil de ignorar. Ainda assim, a festa faz-se com quem lá está — e Portugal leva consigo ambição.
Pode ser o último Mundial de Ronaldo e Messi. Dois gigantes que merecem uma despedida com dignidade — e, se possível, alegria portuguesa. Ronaldo já ultrapassa fronteiras e leva o nome de Portugal consigo.
Temos talento. Falta ser equipa. E talvez quebrar tradições: nunca um campeão teve treinador estrangeiro.
Seja como for, seguimos com fé — e até com loucura — como quem percorre 4.500 km por oito países para ver Portugal. Porque sonhar também joga. E este é o título que nos falta.
Jorge Melo
Funcionário público