Fora de Jogo

3 de Julho de 2026

O ecrã é horrível. Mas a multidão vibra com um sentimento impossível de ignorar: PORTUGAL.

Confesso já: sou a pessoa que menos percebe de futebol à face da terra. Por isso, quando o Hermínio Loureiro – uma das pessoas que mais percebe de desporto em Portugal – me convidou para escrever sobre a Seleção e o Mundial no 4 linhas, não pude deixar de sorrir. Logo ele. Se calhar foi por isso mesmo. Ou talvez não. Mas aceitei.

O convite teve um efeito inusitado: dei comigo a estudar os convocados e a ler jornais desportivos.

Percebi rapidamente que o meu caminho não é a tática. O que me atrai é outra coisa – a envolvência única destes campeonatos.

Fascina-me o aproximar da hora. O nervoso miudinho. As minis no congelador.

Delicia-me ver a família e os amigos reunidos, a debaterem acaloradamente sobre táticas e craques que mal conheço – enquanto eu próprio me apanho a usar termos de pretenso especialista.

E fascina-me, sobretudo, aceitar o desafio de ver o jogo na praça. Aquele ecrã mau. Aquela multidão que não precisa de alta definição para sentir tudo.

É por tudo isto que neste Mundial, particularmente neste, a minha expectativa é total.

Quero ver Portugal chegar lá – à final.

E depois festejar.

Porque a nossa seleção merece. E porque nós merecemos. E mereço sobretudo eu que, vivendo constitucionalmente fora de jogo, faço um esforço hercúleo de integração social só para gritar golo no momento certo.

Paulo Oliveira

Jornalista

Herminio Loureiro
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