No cimo dos meus 50 anos e num momento de reflexão a poucas semanas de começar o Mundial de Futebol nos Estados Unidos, olho para a aventura de Portugal talvez como uma das mais sólidas dos últimos anos. Talvez esta forma de pensar seja pelo amadurecimento da experiência de vitória que a conquista de um Europeu e de duas UEFA Nations League me trouxeram. Durante muitos anos tivemos uma seleção quase a conseguir o apuramento para o Mundial e outras em que participámos com muita parra e depois pouca uva…
Mas agora a seleção amadureceu, está menos dependente de Cristiano Ronaldo e os seus jogadores, muitos deles a trabalharem nas principais ligas de futebol, são agora campeões experientes capazes de lutar cara a cara com outras estrelas Mundiais com arte e engenho para desta vez poderem trazer mais alegrias à Nação. Pessoalmente não considero que Portugal seja favorita. Estará eventualmente no segundo grupo dos favoritos onde no escalão superior pontificarão Espanha (vencedora em título) e a França (vencedora em tempos também recentes). Portugal parte para este Mundial com fortes argumentos, mas vai deparar-se na fase de grupos com equipas ao alcance, mas difíceis e de outros continentes com um futebol ao qual os nossos atletas não estarão tão habituados. Apesar de o futebol ser cada vez mais global, as equipas Sul Americanas e Africanas têm uma arte e engenho que poderão surpreender Portugal num grupo onde o Uzbequistão será talvez a principal novidade do grupo. Nesta seleção haverá menos fogosidade de Cristiano Ronaldo, mas a sua experiência e mediatismo fazem todo o sentido quando vemos o capitão ser mais uma vez convocado naquela que será a mais certa última vez que participará num Mundial. Cristiano leva para os Estados Unidos um certo respeito dos outros jogadores aliado à experiência e inesgotável motivação para ganhar que poderão ser fortes argumentos para uma seleção sem Diogo Jota, mas lembrado com o “+1” na comitiva. Pessoalmente acho que estaremos fortes na baliza e no meio-campo com especial destaque para os nosso alas, mas tenho algumas dúvidas da nossa eficácia na frente. Na defesa, onde se preparam muitas das vezes os ataques, tenho algumas dúvidas que sejamos tão bons ou pelo menos tão majestosos para ganhar o Mundial, mas tenho fortes esperanças no Rúben Dias como capitão desta área tão importante da seleção.
E acabo praticamente como comecei! Portugal tem uma seleção madura com jogadores que se conhecem muito bem e que já ganharam muita coisa, mas na equipa ainda de Cristiano Ronaldo falta preparar a despedida do nosso maior símbolo além-fronteiras da atualidade com uma vitória no Mundial. Temos equipa para isso, mas a humildade, resiliência, espírito de sacrifício e não invenção da estratégia, vão ser determinantes para que o adeus a Cristiano seja ainda mais bonito e algures um J muito grande esboce um sorriso de grande felicidade.
Eu acredito que vou passar um mês de junho a sofrer, mas a acreditar. Que a bola comece a rolar…
André Bettencourt
Consultor Freelancer