O Mundial não se joga apenas dentro de campo: começa muito antes, nas expectativas, nas emoções e nos sonhos de milhões de adeptos. O próximo Campeonato do Mundo de futebol já entrou no radar com esse misto de entusiasmo e antecipação, com análises a surgir e discussões a ganhar forma sobre quem pode ir mais longe. É sempre um momento especial no calendário, onde as melhores seleções do mundo se encontram e onde, durante algumas semanas, tudo gira à volta do futebol.
Se há uma seleção que parte na linha da frente, essa é a França. Os franceses têm sido uma das equipas mais consistentes do futebol mundial nos últimos anos. Ganharam o Mundial de 2018, chegaram à final em 2022 e continuam com uma base fortíssima. Têm talento por todo o lado, uma profundidade de plantel impressionante e jogadores capazes de resolver jogos num lance, como Mbappé. Mais do que isso, são uma equipa muito equilibrada, bem organizada e habituada a lidar com a pressão. Tudo isto coloca a França como a minha principal candidata ao título.
Mas num Mundial nunca há certezas — e logo atrás vem um grupo forte de seleções que podem perfeitamente sonhar com a conquista. Estamos a falar de Portugal, Argentina, Brasil, Inglaterra e Espanha.
Portugal aparece com uma geração cheia de talento e cada vez mais madura. Provavelmente, na sua plenitude máxima! Há qualidade técnica, criatividade e várias soluções em todas as posições. Se a equipa conseguir ser consistente ao longo da prova, pode surpreender e chegar muito longe.
A Argentina, como atual campeã, merece sempre muito respeito. Pode estar a renovar algumas peças, mas mantém uma identidade muito forte e aquela mentalidade competitiva que faz a diferença nos momentos decisivos. É uma equipa que nunca se pode dar como vencida.
O Brasil, por sua vez, traz sempre aquele “fator imprevisível”. Tem jogadores capazes de fazer magia a qualquer instante. O desafio será transformar esse talento individual num coletivo sólido, algo que nem sempre tem conseguido nas últimas competições. Se encaixar as peças, torna-se perigosíssimo.
A Inglaterra continua a crescer de forma consistente. Tem um plantel jovem, mas já com experiência em grandes competições. Junta intensidade física, qualidade e organização tática. Está cada vez mais perto de dar o salto e lutar verdadeira e continuamente pelo título.
E depois há a Espanha, que está a construir uma nova geração muito interessante. Mantém a sua identidade de posse de bola e inteligência tática, mas agora com mais velocidade e verticalidade. Se conseguir ser mais eficaz na finalização, pode tornar-se uma das equipas mais difíceis de travar.
Outro fator que pode ter impacto importante neste Mundial são as condições climatéricas nos Estados Unidos, onde o torneio será disputado. Dependendo das cidades e das alturas do dia, o calor e a humidade podem ser bastante exigentes para os jogadores. Isso pode influenciar o ritmo dos jogos, obrigar a uma maior gestão física e até favorecer equipas com maior profundidade de plantel e capacidade atlética.
A própria envolvente do país anfitrião, marcada por um contexto político mediático e polarizado — também com a presença de figuras como Donald Trump na vida pública — pode acrescentar ruído externo a um evento que já é, por natureza, altamente exposto.
Além disso, não deixa de ser relevante notar que o contexto internacional continua instável em várias regiões, incluindo tensões com países como o Irão, o que reforça a importância da segurança e da organização de um evento desta dimensão global. Num Mundial, em que equipas e adeptos de todo o mundo se cruzam, o futebol também acaba por refletir, ainda que indiretamente, o estado do mundo.
Há ainda um ponto que muitas vezes passou secundarizado até se tornar decisivo: a arbitragem. Num torneio desta dimensão, é fundamental haver árbitros ao mais alto nível. Decisões em momentos-chave podem mudar completamente o rumo de um jogo — e até de uma competição inteira. Por isso, espera-se uma arbitragem consistente, clara e com o apoio das tecnologias disponíveis, para garantir o máximo de justiça possível dentro de campo.
E como tem acontecido em vários Mundiais e Europeus recentes, há sempre espaço para surpresas. Seleções fora do lote de favoritos, especialmente de África ou do extremo oriente, têm mostrado uma evolução muito interessante e uma capacidade crescente de competir ao mais alto nível. Equipas bem organizadas, rápidas e muito motivadas podem causar grandes dificuldades às chamadas “grandes potências” e até protagonizar campanhas memoráveis. Também aqui, basta uma boa fase de grupos e um jogo inspirado a eliminar para mudar completamente o rumo da competição.
Resumindo, tudo está em aberto. A França lidera as minhas previsões, mas há um grupo muito forte pronto para aproveitar qualquer deslize — e ainda há espaço para surpresas que podem baralhar completamente as contas. É isso que torna o Mundial tão especial: ninguém ganha antes de jogar.
E há ainda um detalhe que torna esta edição ainda mais marcante e inolvidável. Tudo indica que este será o último grande torneio internacional em que vamos ver Cristiano Ronaldo e Lionel Messi ao mais alto nível. Dois jogadores que definiram uma era, bateram recordes atrás de recordes e elevaram o futebol a outro patamar. Só por isso, este Mundial já entra diretamente para a história — como o possível palco final de uma das maiores rivalidades que o desporto já viu.
Vasco Cunha
Presidente Assembleia Municipal do Cartaxo