«Portugal é favorito para este Mundial?» – perguntou o jornalista ao selecionador nacional. E Martinez, com a sua experiência sábia, respondeu de modo exemplar e didático, dizendo que não podia ser favorita uma seleção que nunca ganhou um Campeonato do Mundo. Porém, animou a malta: Portugal seria um candidato.
Roberto Martinez deve saber que os portugueses não gostam de expectativas baixas. Preferem sonhar alto, porque, na vida, andam fartos de angústias. Até a bola começar a rolar nas Américas, somos os melhores do mundo. Depois, logo se verá.
Mas há, aqui, uma questão filosófica. Deve um selecionador ter uma comunicação responsável, ou populista?
A verdade é que a resposta de Martinez é inatacável. Portugal tem enorme talento, mas o talento não basta. Que precisa mais? Pois precisará de sorte, de bons ventos a cruzar adversários, de personalidade, resistência psicológica às altas pressões e, ainda, de pequenos nadas que tantas vezes decidem jogos.
Prefiro ser pragmático, como o selecionador. Ficar na fase de grupos seria um desastre. Chegar aos oitavos de final, ficaríamos nos serviços mínimos. Quartos de final, aceitável, mas não além do suficiente menos. Meias-finais, como há sessenta e há vinte anos, atingiríamos as (minhas) expectativas. Final, seria um espanto. Campeões do mundo, um milagre a repetir Paris de há dez anos.
Vítor Serpa
Jornalista