Navegar até ao sonho americano

2 de Julho de 2026

Pela primeira vez na história de Mundiais, Portugal senta-se à mesa com França, Alemanha, Espanha e Argentina, crónicos candidatos ao trono. À boleia de talentos distintos (nomeadamente Diogo Costa, Rúben Dias, Nuno Mendes, Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e Rafael Leão), a Seleção tem motivos para sonhar e jogar bem, apontando às marcas de 1966 e 2006.
Na antecâmara do Mundial 2026, as previsões multiplicam-se e a minha fé aponta ao Portugal-Argentina na madrugada de 12 de julho (domingo, 02h), uma verdadeira final antecipada. Nesta crente matemática, Portugal tem a obrigação de vencer o Grupo K (Uzbequistão, Rep. Dem. Congo e Colômbia) e mede forças com Gana, Suíça, Argentina e Noruega no caminho até à final. No decisivo jogo, a 19 de julho, a reedição da final do Euro 2016, de preferência com desfecho idêntico.
Ora, o calcanhar de Aquiles de Portugal poderá recair sobre Roberto Martínez e Cristiano Ronaldo. Se as escolhas do selecionador nem sempre são percetíveis, tampouco esclarecidas, o “intacto” CR7 complica o fluxo ofensivo e não conta no setor recuado. O 7 das “Quinas” é, nesta fase, um elemento de área, ainda que tenha permissão para agir consoante o ego.
Não há que fugir ao elefante na sala. Basta recordar a saída de Fernando Santos em 2022, depois de provar que a Seleção é mais capaz com Gonçalo Ramos no centro do ataque.
Desde então, Portugal melhorou em campo, mas não no banco. Para lá da conquista da Liga das Nações, contra as probabilidades, Roberto Martínez insiste numa ideia básica de posse e de jogo lateralizado, aproveitando-se das qualidades estupendas de Nuno Mendes, por exemplo. O génio dos pupilos vai valendo.
O meu “onze” (4-2-3-1), algo distante da ideia de Martínez, contaria com Diogo Costa, João Cancelo, Rúben Dias, Renato Veiga e Nuno Mendes; Vitinha e João Neves; Bernardo Silva, Bruno Fernandes e Rafael Leão; Gonçalo Ramos.
Nunca acreditei tanto na conquista de um Mundial quanto neste ano. Mas esta prova não é linear e reserva inúmeras surpresas e armadilhas (2002, 2014 e 2022). Em frente!

Samuel Santos

Jornalista do Maisfutebol

Herminio Loureiro
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