Mundial 2026: êxito desportivo, ativo estratégico e financeiro

4 de Julho de 2026

A participação da armada lusa no Mundial de Futebol 2026 encerra um capítulo cujo início subsequente, desportiva, estratégica e financeiramente transcende a vitória final. Para a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), patrocinadores, marca e “produto” futebol, a prova em causa representa uma oportunidade, e concomitante necessidade, de valor incalculável. Exorcizem-se os medrosos: dispomos de vários jogadores que são os melhores do Mundo nas suas posições, e estaremos do ponto de vista coletivo no ponto máximo de maturação. Sem descurar adversários, poderosos, Portugal assumirá a sua dimensão, avessa à mediocridade de quem não eleve como desiderato a final e sua conquista. A este nível, afigura-se provável a última atuação de CR7– ícone mundial, ativo de marketing global sem paralelo -o que convoca a superior relevância da compita para a FPF. Nada será igual no “day after”. Estratégia? A menoridade dos futuros contratos será mitigada se erguido o cetro Mundial. A governação mostra-se aparente e titubeante, como evidencia o corajoso voto do SLBenfica contra o orçamento federativo/plano de actividades para 2026/27, e a abstenção da Liga e FCPorto. Um estridente sublinhado atento o sinalizado despesismo (curiosamente desprezado no debate público) cujo palco diário é inenarrável apesar de, agora, vários conscientes se mostrarem despertos e expetantes causa, acrescida, do incumprimento da promessa relativa à distribuição de M€30 de receitas das apostas desportivas. Da FIFA chegam, a cada Federação, MUSD10 pela participação, MUSD2,5 para preparação, os quais em função do desempenho desportivo variaram entre MUSD15 e MUSD50 para o vencedor, além de MUSD16 destinados a despesas de deslocação de comitivas e dotação de bilhetes. Acresce a valorização de ativos desportivos, direitos comerciais e exposição mediática global. Parte da receita do Mundial, superior a 13 mil milhões de dólares, é redistribuída pelas Federações para programas de apoio, essencialmente, ao nível de infraestruturas, cuja publicidade e transparência sobre a verdadeira afetação merece profundo rastreio. Pouco, para tamanho jogo e nau. É difícil encontrar na memória uma aliança entre a fome (ativo estratégico/financeiro) e tamanha vontade de comer (sucesso desportivo). Porém, a equipa das quinas granjeia uma rara manifestação de coesão nacional, mobilizada em torno do sentimento de pertença e orgulho. O imperativo nacional esta carente, mas “Sim! Vai (ter de) dar Portugal!”.

Jerry Silva

Advogado

Herminio Loureiro
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