Falta só este, caneco!

23 de Junho de 2026

Estamos naquela fase em que contar com Portugal na fase final do Mundial de futebol é algo de adquirido. Mas nem sempre foi assim. Durante largos anos, a seleção portuguesa apenas surgiu neste ambiente ocasionalmente. É certo que em 1966 estivemos quase a vencer a competição e que em 1984 chegamos às meias-finais de um europeu. Era ainda o futebol dos jogadores que não depilavam as pernas e que não ganhavam num mês o que um português médio ganha numa vida. Tudo mudou. Até a Federação Portuguesa de Futebol deixou de ser um clube de associativismo amador, apenas com meia dúzia de funcionários e com dirigentes que tinham de tirar férias para acompanhar as seleções. A evolução foi tão tremenda que hoje a maior redação desportiva está na FPF. Ah, claro, e temos o maior jogador de sempre do futebol mundial, o longevo Cristiano Ronaldo, a máquina. De jogar e faturar. O atual clube bicampeão europeu tem quatro jogadores portugueses e um diretor desportivo fangueiro. No futebol, Portugal não se mede pelo PIB – é uma nação de primeira linha. Já não é preciso dizer “deixem-nos sonhar” porque estamos há alguns anos a viver esse sonho.

Eugénio Queirós

Jornalista

Herminio Loureiro
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