Álvaro Gonçalves Coutinho, foi de Penedono a Inglaterra, ganhando fama pela pena de Camões, como o Cavalheiro que defendeu doze damas inglesas de impropérios.
Conhecido como O Magriço, foi esse o nome e a lenda que a propaganda do Estado Novo foi buscar para apelidar a selecção de 66, no mundial em Inglaterra.
Quando se fala de selecção nacional de futebol, o meu primeiro pensamento vai para Eusébio, Coluna, Torres, José Augusto, Simões, e toda aquela equipa que fez uma nação sonhar e esquecer a realidade onde vivia.
O desporto não é apenas técnica: são pessoas que lutam pelos seus objectivos, com regras e respeito pelos que com eles disputam o campo. Eusébio, o melhor jogador do mundo, tratava Coluna por Senhor Mário Coluna. Mourinho, o melhor treinador do mundo, há dias referiu-se ao astro do Benfica como o Senhor Eusébio.
Numa época onde a comunicação social vivia da rádio e do jornal, onde os que tinham acesso à TV eram ainda menos do que os que sabiam ler, os feitos da selecção das quinas correu mundo e os golos frente à Coreia ou o embate Eusebio Vs Pele ainda hoje são recordados.
Vivendo Portugal isolado do mundo, censurado, onde as pessoas eram perseguidas pelos seus pensamentos, combatendo numa guerra injusta, um país que definhava com números alarmantes de pobreza, de analfabetismo, de parcos cuidados de saúde, de onde muitos fugiam para outros países por causa da fome e do medo de África, o terceiro lugar no mundial veio trazer alento.
Não tendo vivido nessa época, certamente que todos, por umas horas, por uns dias, em Portugal e os que emigraram para terras longínquas e que tinham saudades de casa, saíram à rua de cabeça levantada e peito aberto, com a certeza que com trabalho, com objectivos, com condições dignas, com respeito – e não aquele respeitinho cinzento e salazarento que tantos ainda apregoam -, seria possível triunfar.
Que o desporto e as nossas selecções, tenham a capacidade de fazer o povo sonhar o infinito. Sempre.
João Rebelo Martins
Piloto de automóveis