Falar do Mundial de Futebol é falar da nossa seleção nacional que está a sofrer do síndrome dos empates de Fernando Santos e da epifania dum Eder, que nos levaram à vitória no Europeu.
Quem tem a ambição da seleção portuguesa, mais construída pelos media generosos do que pelo realismo da dimensão de Portugal, mais pela vertigem emocional do que racional, não deve embandeirar em arco, mas também não tem autorização dos milhões de portugueses da pátria e espalhados pela diáspora e pelo mundo para desmobilizar.
Há fatores psicológicos que estão a pesar demasiado, quer na equipa técnica quer nos jogadores, quer na atmosfera que se antevê para uma catástrofe não anunciada mas previsível.
As condições de alojamento e treino são de luxo e o ambiente dos adeptos é cada vez mais inigualável.
Não há condições climáticas que justifiquem falhar.
Temos a seleção de jogadores mais preparada de sempre e não conseguimos descolar dum registo defensivo, medroso, calculista, de equipa pequena, pelo menos nestes jogos iniciais da fase de grupos em que temos dois empates e uma vitória sobre seleções menos dotadas.
Os jogos a que assistimos, quer na fase de preparação, quer na fase de grupos, têm revelado uma seleção constituída mais pelo talento dos jogadores em campo do que por uma equipa coesa, sólida e consistente, com automatismos e rotinas para enfrentar qualquer equipa.
Será um problema de treinador, ou um problema de organização, de ou de estratégia, ou de excesso de estrelato, de tática, ou de estratégia?
Quem gosta de futebol não pode aceitar a atitude displicente, amorfa, Ronaldo dependente com que a seleção tem estado nos primeiros jogos como se de fim de férias ou de carreiras se tratasse.
Devemos muito e quase tudo ao jogador mais famoso do Mundo e a nossa gratidão não tem medida.
Mas Portugal é muito mais do que a fama que se arrasta até cair.
Portugal é sentimento, é Pátria, é glória, é heroicidade, é luta.
Temos suficiente memória de Saltilho e outras rebeliões para não permitir mais arrufos ou manipulações dos players que fazem do Futebol o espetáculo mais bonito do Mundo.
Temos suficiente experiência para não permitir que a seleção seja comandada de fora para dentro ou mesmo de dentro para o grupo de trabalho, como se um projeto coletivo, um projeto de nação, pudesse ceder perante o capricho, o estado de alma, o amuo ou a constelação de uma só estrela cintilante.
Os portugueses que diariamente acompanham a seleção nacional querem mais, querem sempre muito mais, porque foram habituados a ouvir dizer que somos os favoritos, os maiores, os galácticos, os invencíveis, os herdeiros da gesta marítima que ganham sempre antes, para depois como sempre, poderem perder, tal como o destino dos comuns mortais.
Enquanto houver jogos há esperança mas os sinais não têm sido famosos.
Pede-se mais, muito mais, à nossa querida seleção de futebol.
Paulo Matos
Advogado