Quando o feminino ensina o masculino

27 de Junho de 2026

Em 2026, os Estados Unidos acolhem o maior espetáculo do futebol masculino sem um único título mundial. Mas têm quatro Campeonatos do Mundo femininos. O paradoxo não é acidental, é simplesmente uma lição.
Em 1972, o Title IX ( lei que obrigou as universidades a oferecer às mulheres as mesmas oportunidades desportivas), forçou as à igualdade desportiva. O futebol feminino explodiu. Criou praticantes, adeptas, mães que puseram os filhos a jogar, ligas profissionais, ícones culturais como Megan Rapinoe. Criou, acima de tudo, uma cultura de futebol que o masculino sozinho nunca teria construído!
O Mundial feminino de 1999, realizado nos EUA, encheu estádios de 90.000 pessoas e foi transmitido em horário nobre. Uma geração de raparigas cresceu com referências suas no desporto.
O mito de que investir no feminino enfraquece o masculino morre aqui. Os EUA têm hoje a Liga Feminina e Masculina em crescimento e uma seleção masculina de volta aos grandes palcos. Tudo em simultâneo!
O Mundial de 2026 não é apenas uma festa do futebol masculino. É o maior argumento vivo de que apostar no futebol feminino constrói um ecossistema plural, com famílias inteiras a gostar de futebol e desta forma aumentar exponencialmente o negócio. Bastava aprender com quem já o fez! A Europa neste âmbito está a milhas de distância do Continente americano!

Ricardo Fonseca de Almeida

Diretor do Valadares Futebol Clube – Feminino

Herminio Loureiro
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