Portugal faz parte do lote dos melhores…

20 de Junho de 2026

…mas só isso não chega para ser campeão

Depois de uma versão territorialmente minúscula, no Catar, o Mundial de 2026 disputa-se na vastidão da América do Norte, o que causará problemas logísticos às seleções, e dificuldades acrescidas aos adeptos. A este inconveniente dever-se-ão juntar os horários impróprios, pela canícula, a que muitos jogos vão ser disputados (para serem vistos, a horas ‘decentes’, na Europa), o que inevitavelmente terá consequências na intensidade do futebol praticado. Finalmente, sendo este um Mundial que foi sobretudo negociado pela administração Obama (embora tivesse sido Trump, na primeira passagem pela Casa Branca, a fechar a candidatura e a colher os louros), acaba por ficar à mercê, no que à política de vistos de entrada nos Estados Unidos para os membros dos ‘staffs’, ao arbítrio da conjuntura criada pela presidência de Donald Trump, o que não augura nada de bom e tem trazido a FIFA à beira de um ataque de nervos.
Quanto a Portugal, numa altura em que Pedro Proença já estabeleceu como patamar mínimo a chegada aos quartos-de-final (atenção que 48 seleções os jogos passam de 64 para 106 e os semi-finalistas deverão jogar oito vezes, e não as sete habituais), tudo vai depender da forma física dos jogadores, da gestão do plantel que será feita por Roberto Martinez, e da capacidade de crescimento da equipa ao longo da competição. Portugal pode ser campeão do Mundo? Claro que sim. Assim como a França, a Espanha, o Brasil, a Argentina, a Alemanha, a Bélgica ou a Inglaterra, que também têm estatuto semelhante.
Basicamente, no lote de jogadores escolhidos por Martinez há duas formas de jogar diversas, uma que não é tão agressiva defensivamente, quando joga Ronaldo (que normalmente segura consigo dois adversários); e outra, sem CR7, que aposta na pressão alta e é mais veloz e coletiva. Na definição de quando devemos apostar num modelo ou no outro dependerá boa parte do nosso sucesso. Porque, não havendo nenhuma equipa, entre o lote dos candidatos, que sobressaia por aí além das outras (talvez a França, que parece, contudo, apostada num processo autofágico, uma espécie de Saltillo gaulês) o campeão do Mundo de 2026 vai precisar que os astros se alinhem e criem uma conjuntura que lhe permita levantar a Taça em New Jersey.

José Manuel Delgado

Jornalista

Herminio Loureiro
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